Na sexta-feira a noite dia 25/08/2006 iniciamos os preparativos para nossa nova empreitada, o propósito é descer o rio Vaza Barris saindo da cidade de Itaporanga até a sua foz em Aracaju no bairro Mosqueiro.

   

As imagens acima mostram a área por onde navegamos, a da esquerda aponta ao três núcleos habitacionais dos municípios que são banhados pelo rio Vaza Barris, a da direita aproximadamente o percurso que fizemos.

Havia bastante tempo que não remávamos, o inverno deste ano tem sido rigoroso, quando falamos de rigor do inverno aqui no litoral do Nordeste, estamos nos referindo a chuvas e não a frio nos padrões globais, embora costumamos dizer que faz um pouco de frio nesta época do ano, uns 20º C nos piores dias.

Fizemos pequenos reparos nos barcos, separamos os materiais e suprimentos necessários para descida e acondicionamos os barcos em cima do carro para não perdermos tempo de manhã cedo com isso, pois pretendemos no mais tardar as 7h estarmos dentro d'água para aproveitar o início da vazante da maré.

As 5h da manhã partimos rumo a Itaporanga, eu (Gladston), Piotr e Oliveira nosso apoio que fez o "sacrifício" de nos acompanhar para retornar com o carro.

E ai estamos nós, as 6,45h da manhã do dia 26/08 com os barcos na água em Itaporanga nas imediações da ponte da BR101 que cruza o rio. A manhã estava um tanto cinzenta, mas não menos bela.

   

 

Acima na imagem  da direita  no primeiro plano Oliveira e atrás moradores da cidade que observavam a nossa partida.

Neste trecho, o rio é relativamente estreito, cerca de sessenta metros de margem a margem, a água é salobra mas a vegetação ribeirinha é de vestígios de mata - atlântica.

 

   

Continuamos a descer o rio parando a todo instante para admirar detalhes da vegetação ribeirinha, encontramos no percurso alguns pescadores arriscando a sorte nas primeiras horas da manhã.

                                                                                               O registro das horas ficou perdido, a cada curva do rio um novo encanto fazia o tempo passar sem nos darmos conta dele. Já na altura do povoado Coqueiros encontramos uma ilhota segui pela direita e Piotr pela esquerda, lá ele deparou-se com pequeno porto de canoas, nesta altura do rio já esta presente a vegetação típica dos mangues julgamos que este ponto dista cerca de 25 km da foz do rio.

De fato estimamos a distância pois ainda não temos condições de precisá-la, necessitaríamos de um GPS para tanto. Planos futuros.

Como já dissemos nos falta o equipamento para localização perfeita de onde estamos, nos valemos somente de imagens de satélite que permite uma visão privilegiada do estuário do rio, porém a coisa muda de figura quando estamos dentro dele e não temos um ponto de referência, sabemos que seguindo em frente, rumo a leste chegaremos ao mar, mas é possível cairmos numa “armadilha” e ficar perdido nas pequenas derivações do rio. Então, o mais prudente nesta situação é optar pelo braço mais caudaloso do rio.

       
Momento de decisão



Logo em seguida encontramos no meio do rio um cercado feito de varas de madeira, ele se estende praticamente de um lado ao outro da margem, sua finalidade é aprisionar peixes que na vazante da maré são recolhidos. Deve haver um nome específico para este procedimento que desconhecemos como também a sua legalidade. As garças não perdem tempo e aproveitam para fazer um belo banquete com a facilidade para a captura dos peixes.

Seguimos em frente, mesmo perdidos no tempo já faz mais de duas horas que estamos remando, o rio mostra-se mais largo e finalmente encontramos um ponto de referência que conhecemos. Ao fundo, na margem direita, avistamos ao longe o Cristo da cidade de São Cristóvão, antenas que ficam ao seu lado e também as torres da Igreja Matriz da cidade. Com os pescadores pegamos mais informações sobre que direção seguir, deste ponto já avistamos ao longe a Ilha Grande já conhecida por nós .

Moldura2

Até este ponto a natureza foi generosa conosco, a maré vazante que nos ajudava a remar e o céu nublado que amenizava o calor, mas como suspeitava-mos os momentos mais difíceis estavam por vir. As nuvens já rareavam no céu e entrou um forte vento contra nos obrigando a remar com maior intensidade. Já se passaram mais de 3 horas de remada e eu sentia uma grande necessidade de levantar do caiaque e caminhar um pouco para aliviar o desconforto de ficar tanto tempo sentado numa posição com movimento limitado das pernas, combinamos então que na primeira oportunidade desembarcaríamos para descansar.

Continua